domingo, 20 de janeiro de 2008

as areias do tempo...


Mais um ano se inicia, mais um janeiro, novo capítulo de nossas vidas para ser escrito, vida essa da qual nós somos os autores, ou co-autores. Seria Deus, o roteirista de nossas vidas? Será que quando nós nascemos, Ele, já sabe qual será o nosso último capítulo? Devemos acreditar em destino ou em algo pré-destinado? A lei do livre arbítrio, onde evitamos, antecipamos ou impedimos algo já previsto em nossa vida, seria possível? Lembrei-me deste título de um best-seller do saudoso Sidney Sheldon, As Areias do Tempo, é incrível como o tempo passa rápido e segundo os mais velhos, passa cada vez mais depressa. São os grãos de areia que correm e escorrem pela ampulheta. Segundo Miguel Falabella na continuação da peça teatral, A Partilha – as personagens surgem certo tempo depois em A Vida Passa, título que é bem sugestivo, tratando-se desse tema. Talvez por isso não podemos perder um só segundo, impossível porque muitas vezes precisamos estarmos sós. É muito importante se estar e gostar de estar só e consigo mesmo, deve ser a melhor companhia. Afinal você vive com você mesmo por 24 horas do dia, mais 360 dias no ano para o resto de sua vida. Nós só descansamos de nós quando dormimos ou partimos dessa para a cobertura. As vezes parecemos estar sozinhos no mundo como no romance Blecaute de Marcelo Rubens Paiva. É possível aproveitar a vida estando só e parado? Para as filosofias orientais sim, é o auto-conhecimento. Ainda bem que as Areias do Tempo trazem marcas na face e no corpo, nos cabelos, no RG, mas devem trazer a sabedoria que faz com que deixemos - ou deve pelo menos – de cometer os mesmos erros, cair nas mesmas ciladas da vida. Assim podemos escolher as melhores companhias de acordo com a ocasião, aqueles para festas, aqueles para um ombro amigo. Assim como Louis aprende em Entrevista com Um Vampiro de Anne Rice - na literatura e no cinema. O tédio de ser imortal e viver a mesmice de uma eternidade onde se atravessa épocas e gerações. Lembrando também de Orlando, A Mulher Imortal de Virginia Woolf – também na literatura e no cinema. Na verdade nos foi prometida a vida eterna em várias filosofias e religiões, seria entediante se fosse sempre neste planeta afinal a tecnologia evolui cada dia mais, e o ser humano, espero que também evolua, em passos de formiga, mais acredito que esteja em evolução. Mas somente sem o material, um bem que todos nós gostamos, é o que provoca essa não evolução, como a corrupção, entre todos os demais crimes que levam pessoas a perdas infinitas devido o desejo de se ter, possuir e querer o que não é seu por merecimento, direito ou conquista.Como dizia Cazuza, vamos ter piedade de quem veio ao mundo e perdeu a viagem. Já que é impossível passar incólume por essa viagem, o melhor é tirar o bom proveito inerme dessa excursão pelas dunas das... areias do tempo.

1 comentários:

NDORETTO disse...

Gostar de estar consigo é o melhor do ser.Quem não gosta de ficar na propria companhia,não sabe ficar com ninguém.

abraço,Cesar