quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

ser ou não ser... brasileiro?


(publicado pela primeira vez durante a Copa de 2006) Numa recente propaganda de celular, assim como em tantas outras, a temática é a Copa do Mundo.Lógico que a propaganda é uma ficção, mas se fossemos levar a sério, veríamos uma grande falta de educação de um brasileiro no exterior queimando o filme mais uma vez. Falo do comercial onde um famoso jogador de futebol deixa o celular tocando em alto volume em um restaurante na França, numa apresentação de tango na Argentina e termina com o jogador chegando em um restaurante alemão. Pressupõe-se que na própria Alemanha. No final fica “claro” que era ele que combinava com alguém para que ligasse em seu celular e todos ouvissem o toque em alto e bom tom. A músiquinha do celular é o hino da torcida – Sou brasileiro com muito orgulho... “To be or not to be, that is the question.” OPS!!! “Ser ou não ser, eis a questão”. Saindo da questão da propaganda que apesar de mostrar uma situação fictícia onde se demonstra uma tremenda falta de compostura só para exibir “o brasileirismo”, quero entrar no mérito da questão... Temos orgulho mesmo de sermos brasileiros? Do país Brasil?Ou apenas do time Brasil? Existe muita gente achando que isso é PATRIOTISMO – essa palavra vem de PÁTRIA e não de TIME. Vivemos sim o ESCAPISMO. O Big Brother, o carnaval, as novelas, o futebol, é o ópio do povo, o elixir que alivia o terrorismo do dia a dia, mas não podemos deixar de esquecer a seleção que está no poder e que decide quais são nossos impostos e o que vai ser feito deles. Somos um país que desde as eleições diretas não teve sorte com seus presidentes, está na hora de escalar melhor essa seleção.As camisetas de vários países, estando na moda ou não, ainda desfilam pelas ruas o ano todo. As do Brasil praticamente só na época da Copa, o verde e amarelo está em todos os lugares, corredores de galerias, shoppings, vitrines das lojas, bares, supermercados e sacadas de apartamentos. Parece que só nessa hora a alma brasileira vem à tona, os jogadores da seleção estão presentes em todos os veículos de comunicação. Durante quatro anos vivem, jogam e ganham para defender outros países, chegam na copa se unem, em meio a contratos milionários eles recebem seu salário, fazendo um bom trabalho ou não, o que não acontece em outras profissões, onde se o desempenho, não for bom, perde-se o cargo. Existe um heroísmo com os jogadores, como se fossem para uma guerra onde sem ganhar nada, se da o sangue, a vida, partes do corpo e quando é recebido de volta é carregado como herói, se vivo recebe medalhas, sem braço, sem pernas, com traumas ou paraplégicos. Assim como o carnaval, o futebol está para o Brasil assim como a mitologia grega está para a própria Grécia ou para o mundo. Pensando cá com meus botões filosofei sobre o “B” – sim a letra “B” – B de Brasil, de Brasília, de Brasilândia, do Batuque, da Bossa Nova, da Bahia de todos os santos, da Bahia de Guanabara, do Berimbau, da Bola, da Bunda, da Bala perdida, dos Bandidos, de gente Bamba, do jeitinho Bem Brasileiro e do Barbudinho. E por falar em barbudinho, ninguém fala mais da maioria dos deputados que não foram cassados, da CPI das ambulâncias que não aconteceu, do barbudinho que disse que nada viu, que nada ouviu e que está em primeiro lugar nas pesquisas. Se correr o Alckimin pega, se ficar o Lula come. “Há algo de podre no reino tupiniquim” - Plagiando Shakespeare. Ao invés de os brasileiros pensarem tanto na picuinha futebolística com a Argentina, deveriam aprender com eles que vão sempre para as ruas reivindicar o que não concordam e conseguem na raça. Os brasileiros deveriam copiar os americanos em sua organização e limpeza nas ruas. Patriotismo é preservar a cultura, preservar a língua. No caso dos franceses que colocam a tradução embaixo de todo anuncio estrangeiro para que ninguém tenha a obrigação de saber o que está escrito. Os italianos dublam todos os filmes estrangeiros, em nome da preservação da língua - o que na minha opinião é uma adulteração da obra, dublar um filme.É a nossa imagem lá fora, até outro dia eu me orgulhava de viver num país sem terrorismo, agora já não posso mais dizer isso. Aliás, que terrorismo? Alguém se lembra disso? O que importa é o Hexa! Pensando na maioria de nossos governantes, procurei uma frase de Shakespeare, digna de fechar por hora esse assunto. Mas esse radicalismo prova que a globalização cultural parece que só acontece no terceiro mundinho. Nós temos a obrigação de falar inglês quando vamos para a Terra do Tio Sam, mas eles numa grande maioria acham que moramos em ocas ou taperas, numa selva com onças, rios e macacos pelo caminho, não só eles outros países também. “Não sei comparar nossos ricos avarentos com coisa tão imunda que não seja a baleia, que brinca e dá cambalhotas, tocando por diante o pobre cardume de peixinhos, para no fim devorá-los de uma bocada só! Já ouvi falar dessas baleias de terra, que não cessam de abrir a goela para engolir a paróquia, a igreja, a torre, os sinos, tudo”. Péricles (1608-1609) Ato II – Cena I: Primeiro pescador. William Shakespeare, 1564-1616 ...e Cazuza ainda diria “Brasil mostra a tua cara, quero ver quem paga pra gente ficar assim.”


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