domingo, 18 de outubro de 2009

a fábula da rosa na sarjeta



(esta fábula foi criada e usada como prólogo de minha peça "rosa na sarjeta" realizada no ano de 2002 com direção de Antonio Apolinário, protagonizada por Dora Mazzer, Marco Lorena e  antagonizada por Andreia Stella, anteriormente com Dominique Míssio).

Era uma vez, duas rosas brancas.(Eu disse duas) Uma... Duas. Uma rosa e uma rosinha. Uma rosa desabrochada e uma rosinha botão. Elas eram muito, muito, muito brancas. Talvez nem tão brancas assim, brancas como marfim. Elas moravam num lindo jardim, todo florido. Elas se amavam (As duas rosas). A paz e a felicidade, reinavam por ali. Até que um dia, numa sexta-feira...(Cabrum!) Eis que surge um belo cavaleiro montado em seu cavalo e por uma das rosas, (A desabrochada) se apaixona (E ela também). Então ele a beija e ela se transforma numa linda princesa. O belo cavaleiro convida a princesa para um longo passeio. Sairiam naquela sexta-feira e voltariam somente... no domingo. Ela que nunca havia saído daquele jardim, fica muito, muito, muito feliz e aceita o convite (É claro). Só que não poderia deixar a sua irmãzinha abandonada naquele jardim, rodeada por rosas tão estranhas, entre outras flores tão suspeitas (Como por exemplo, as damas da noite). Foi então que teve uma grande idéia e colocou-a num vasinho e levou-a para passear. Foi um lindo passeio, conheceram outros jardins, outras flores, outras paisagens, outros perfumes e fizeram até... pic-nic. No domingo quando os três voltavam numa carruagem, exaustos do passeio e distraídos de tanta felicidade... (Cabrum!) Um terrível acidente acontece. Nada sofre a princesa, tampouco o cavaleiro, mas a rosinha, pobrezinha, fica toda despetalada. 



O cavaleiro fica com muita peninha da rosinha e sentindo-se muito culpado pela tragédia. Desde então passa dia e noite, noite e dia, todas as noites, todos os dias, dedicando-se a recuperação da rosinha ferida. Enquanto se esquece de sua tão amada princesa que cada vez mais solitária e isolada fica. O cavaleiro para se redimir, acaba se casando com a rosinha machucada e que de tanto amor se transforma numa linda princesinha. Toda machucadinha, mas princesinha. A outra rosa retorna para o seu antigo jardim, de tão infeliz, as demais flores murcham, caem e secam. Ervas daninhas, pedras e espinhos se apossam de todo o espaço. Com o tempo aquele lugar tornou-se de concreto, tornou-se uma avenida ladeada por calçadas. E a rosa permaneceu ali, cercada por aquela paisagem cinzenta lembrando-se daquele belo passeio do passado. Nunca mais queria enxergar a sua cruel realidade e de tão branca que era... Ela ficou vermelha, vermelha de ódio, de ódio, vermelha, vermelha, de ódio, de ódio, vermelha de ódio, vermelha...

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

a volta


mais de um ano se passou
sem liquidificador, sem liquidificulturar
sem moer / sem triturar
o hoje /o ontem /o amanhã
qualquer forma de cultura
de soturna sutura
de amor
de fome / de sede
de poder / de foder
tornando o sólido liquido
como dizia ou ainda diz Hilda...
a vida é liquida
ascensão e glória
sobre oceanos etílicos

domingo, 20 de janeiro de 2008

as areias do tempo...


Mais um ano se inicia, mais um janeiro, novo capítulo de nossas vidas para ser escrito, vida essa da qual nós somos os autores, ou co-autores. Seria Deus, o roteirista de nossas vidas? Será que quando nós nascemos, Ele, já sabe qual será o nosso último capítulo? Devemos acreditar em destino ou em algo pré-destinado? A lei do livre arbítrio, onde evitamos, antecipamos ou impedimos algo já previsto em nossa vida, seria possível? Lembrei-me deste título de um best-seller do saudoso Sidney Sheldon, As Areias do Tempo, é incrível como o tempo passa rápido e segundo os mais velhos, passa cada vez mais depressa. São os grãos de areia que correm e escorrem pela ampulheta. Segundo Miguel Falabella na continuação da peça teatral, A Partilha – as personagens surgem certo tempo depois em A Vida Passa, título que é bem sugestivo, tratando-se desse tema. Talvez por isso não podemos perder um só segundo, impossível porque muitas vezes precisamos estarmos sós. É muito importante se estar e gostar de estar só e consigo mesmo, deve ser a melhor companhia. Afinal você vive com você mesmo por 24 horas do dia, mais 360 dias no ano para o resto de sua vida. Nós só descansamos de nós quando dormimos ou partimos dessa para a cobertura. As vezes parecemos estar sozinhos no mundo como no romance Blecaute de Marcelo Rubens Paiva. É possível aproveitar a vida estando só e parado? Para as filosofias orientais sim, é o auto-conhecimento. Ainda bem que as Areias do Tempo trazem marcas na face e no corpo, nos cabelos, no RG, mas devem trazer a sabedoria que faz com que deixemos - ou deve pelo menos – de cometer os mesmos erros, cair nas mesmas ciladas da vida. Assim podemos escolher as melhores companhias de acordo com a ocasião, aqueles para festas, aqueles para um ombro amigo. Assim como Louis aprende em Entrevista com Um Vampiro de Anne Rice - na literatura e no cinema. O tédio de ser imortal e viver a mesmice de uma eternidade onde se atravessa épocas e gerações. Lembrando também de Orlando, A Mulher Imortal de Virginia Woolf – também na literatura e no cinema. Na verdade nos foi prometida a vida eterna em várias filosofias e religiões, seria entediante se fosse sempre neste planeta afinal a tecnologia evolui cada dia mais, e o ser humano, espero que também evolua, em passos de formiga, mais acredito que esteja em evolução. Mas somente sem o material, um bem que todos nós gostamos, é o que provoca essa não evolução, como a corrupção, entre todos os demais crimes que levam pessoas a perdas infinitas devido o desejo de se ter, possuir e querer o que não é seu por merecimento, direito ou conquista.Como dizia Cazuza, vamos ter piedade de quem veio ao mundo e perdeu a viagem. Já que é impossível passar incólume por essa viagem, o melhor é tirar o bom proveito inerme dessa excursão pelas dunas das... areias do tempo.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

guia super prático do amor

o que é isso mesmo? Um manual hiper-mega-plus-advanced-ultra-supra-moderno - para quem é um ser comtemporaneo(a). Sigo assim – liquidificulturando - aquele sentimento que às vezes é uma pedra no sapato ou um reluzente diamante bruto em sua doce vida. Até me faz lembrar de mais uma canção da Rita...Vírus do AMOR – Composição de Rita Lee / Roberto de Carvalho - Aqui estamos nós, turistas de guerra. Bizarros casais, restos mortais do Ibirapuera. O vírus do AMOR, dentro da gente, beira o caos, 42 graus, de febre contente. Prisioneiros de um arranha-céu, lá embaixo, o mundo cruel é tão chatinho. Você é toda a minha munição, não negue fogo pro meu coração, machucadinho... cambalache... de paixão. O QUE É O AMOR? – Segundo o dicionário Aurélio, o AMOR significa - Sentimento que predispõe alguém a desejar o bem de outrem, ou de alguma coisa. Como por exemplo o AMOR ao próximo; AMOR ao patrimônio artístico de sua terra. AMOR - do tipo que nossos políticos sentem muito por sua nação e os leva a candidatarem-se e a lutarem por nós – o povo. Por AMOR, também ao nosso precioso tempo e a nossa dignidade às vezes não votamos e preferimos ficar em casa, justificando nossos votos por falta de opção e por AMOR a nossa consciência tranqüila. AMOR - XICANO - Mas o AMOR mais famoso e mais comentado é aquele da literatura, do cinema e das novelas. Aquele sentimento que faz com que alguém assista 600 capítulos para saber se Pedro Rodolfo ficará com Amélia Regina e logicamente, Ricardo Pablo – o vilão – terá o devido castigo que merece. Geralmente o carro cai de um desfiladeiro, o avião explode ou a polícia o mata. É desse AMOR que fez com que há décadas atrás todos saíssem frustrados do cinema se perguntando: – Caralho! Assisti horas de filme e a Scarlet Ohara acabou sozinha embaixo da árvore dizendo... - Amanhã será outro dia. (Óbvio que seria outro dia, se fosse o mesmo dia, não seria “E o Vento Levou..., seria outro filme, “O Feitiço do Tempo”, que nem sonhava em existir na época). E O VENTO LEVOU... - Ninguém sabe até hoje se Scarlet pegou um táxi-horse e foi encontrar Red Butler, e se ele a recebeu, cedeu e ... RED OF LOVE – foram felizes para sempre! A escritora solteirona recusou milhões para escrever uma continuação. O que nos faz entender porque era uma solteirona, não é? Mas onde quero chegar é no seguinte ponto. O AMOR, nosso personagem em foco, teria sido ele, inventado pelo cinema hollywoodyano? Sim! Essa obrigação de se sonhar e achar que existe um grande amor, coisa assim de filmes como “Uma Linda Mulher” ou de novelas como “Selva de Pedra”. Para sermos felizes é necessário que se encontre um grande AMOR? VAMOS PARAR COM ESSA ZONA PÔ! - Ou foram os religiosos que inventaram que existe o AMOR? Para que o povo parasse com aquelas surubas na casa do Cara..., ops!, Casa do Calígula? Cidona e Gangorra, ops! Sodoma e Gomorra que o diga! E não olhe para trás que vira estátua de sal, a mulher de Lot sabe muito bem disso. Mas o AMOR não pode ser um só, não é? Acho que - em dezembros – é uma boa época para se falar de AMOR. Fechamos um ciclo mesmo que simbólico, é bom se saber que há diversos tipos de AMOR e que por isso não amamos uma única vez. O meu amigo Aurélio cita o exemplo - Sentimento de dedicação absoluta de um ser a outro ser ou a uma coisa; devoção extrema: "Amor é um fogo que arde sem se ver” como dizia Luiz de Camões e Renato Russo aproveitou a grande sacada. AMORES VARIADOS – Se a vida fosse uma gôndola de supermercado, você encontraria AMOR em vários setores, corredores, e nas mais diversas embalagens, por quilo ou a granel, embalado a vácuo ou self-service. Segue abaixo outras formas de amar que constam no Aurélião. Afinal quando achamos que sabemos muito, às vezes estamos bem por fora. Palavras muitas vezes simples e óbvias tem múltiplos significados que vale a pena se recordar: Já nascemos na maioria dos casos com esse sentimento despertado pelo AMOR - Sentimento de afeto ditado por laços de família: amor filial. Logo crescemos e vemos que nosso corpo está mudando, eis que surge... AMOR - Sentimento terno ou ardente de uma pessoa por outra, e que engloba também a atração física. Atração física e natural entre animais de sexos opostos. O Aurélio que me perdoe! Quem sou eu para corrigi-lo, mas é mais do que comprovado que existe atração física, não sei se com ou sem amor, entre animais do mesmo sexo, assim como entre animais homens, que homofobia do Lélinho! Há também o AMOR que não é cobrador, nem mesmo motorista, é passageiro e sem conseqüência; capricho. E pode acontecer na lotação, no ônibus, na rua, na fazenda ou numa casinha da COAB. E a fome entra pela porta e o AMOR sai pela janela e da de cara com o amante entrando. É disso que falo, do AMOR - Aventura amorosa; amores. Existe o AMOR – aquele da Adoração, veneração, culto: amor a Deus. Alguns exageram, na minha opinião. Se Deus é perfeito, um ser perfeito não se acha o máximo e não deve ter vaidade, então concluo que não deve ser venerado e sim respeitado como qualquer ser, vivo ou morto, palpável ou etéreo. Um AMOR que é quase um mico leão dourado, é o da Afeição, amizade, carinho, simpatia, ternura. Mas eles existem, são poucos e preciosos. Basta saber que tudo o que se emana, se recebe, então é só mandar ver... O AMOR pode ser tão infinito e transcendente quanto... - Inclinação ou apego profundo a algum valor ou a alguma coisa que proporcione prazer; entusiasmo, paixão, AMOR à verdade; amor à natureza; AMOR ao jogo. Aquele AMOR de vovó e que não precisa só ser de vovó - Muito cuidado; zelo, carinho: OBJETOS DE AMOR - 1 - AMOR à primeira vista. AMOR súbito, ao primeiro encontro. 2 - AMOR carnal. O que busca a satisfação sexual; AMOR físico. 3 - AMOR livre. O que repudia a consagração religiosa ou legal, representada pelo casamento. 4 - AMOR platônico. Ligação amorosa sem aproximação sexual (sobre amor platônico, leia nessa coluna o texto “Batman e Platão no Darkroom”). 5 - Fazer AMOR. Ter relações sexuais; copular. 6 - Pelo AMOR de Deus! Por caridade; por compaixão. 7 - Por AMOR à arte. Desinteressadamente, gratuitamente. 8 - Por AMOR de... Por causa de... em atenção a... 9 - Um AMOR. Pessoa ou coisa muito linda; um amoreco, um sonho, uma graça, um encanto, uma coisa, um doce, um doce-de-coco, um negócio, um troço, uma uva ( Cuidado! Geralmente quem diz isso é uma criatura falsa). AMOR...TADELA! - Perdi a conta com mais de 40 vezes, a palavra AMOR. Ops! Mais uma! Todos nós seríamos melhores seres humanos se vivenciássemos mais a verdadeira essência da palavra AMOR, não precisaríamos de regras, leis, mandamentos, etc. Acredito que é o melhor verbo de se conjugar em suas mais variadas formas e sentidos. Para um pleno fim de ano e para o que vem por aí, nada mais urgente, nada mais básico para a sua cesta. AMOR... as formas e sentidos. Para um pleno fim de ano e para o que vem, nada mais urgente, nada mais be Pedra. Para sermos felizes


as brumas da sauna...


como você quer a carne? seca ou no vapor? perdoa Marion! - Tudo se perde nas Brumas de Avalon... Ops! Ou melhor, nas Brumas da Sauna. Quem nunca foi? Que atire a primeira toalha! Cuidado! Por ali a fada Morgana passa bem longe, assim como qualquer mulher. Que Marion Zimmer Bradley não me ouça! Falo das saunas gays...Venha para o Mundo de Marlboro ! – Nesse mundo, todos os homens são iguais, quase que um outro planeta, planejado e perfeito – tão lírico e poético – uma ilha hermética onde todos os homens usam apenas toalhas brancas e chinelos do tipo havaianas. É a Filosofia Sauniana! Dentro do Armário - Todas as tribos, religiões, raças, tipos físicos, classes sociais, níveis culturais. Ali todos falam a mesma língua. Seria a linguagem do relax, sim, mas do despir-se do estressante mundo selvagem que há lá fora e que trancamos dentro do armário no vestiário. A única referência de sua pessoa é o número de seu compartimento no armário e sua chave. Todos os seus problemas ficam trancados ali, com suas preocupações, medos. Tudo o que existe sobre você fica ali, documentos, roupas, pertences, você entra no armário para sair dele. Metafórico, não? A partir de então não importa o estado civil, ou de que cidade vem, vale apenas a lei do desejo, todos os tipos, para quem quer, é claro. Banho de Espuma - Que tal nós dois / Numa banheira de espuma / El cuerpo caliente / Um dolce farnient / Sem culpa nenhuma / Fazendo massagem / Relaxando a tensão / Em plena vagabundagem / Com toda disposição / Falando muita bobagem / Esfregando com água e sabão... (primeira parte da canção de Rita Lee e Roberto de Carvalho) Código de Barras - É vasto o campo da Filosofia Sauniana, como por exemplo você saber algo sobre a pessoa, mesmo em trajes de Adão. Sim! O corte de cabelo, a tatuagem, brincos, piercings, relógios, etc, mas isso mais parece coisa de quem vai na sauna e fica analisando o outro – Que falta do que fazer! – he, he, he. National Geografic - Afinal nas saunas, pode-se encontrar várias espécies fora de seu habitat natural, digo, aqueles que não freqüentam os guetinhos do dia-a-dia, bares, boates, o famoso medo de ser visto ou reconhecido por alguém do trabalho, etc. Reza a lenda que muitos heterossexuais em tardes furtivas, migram para saunas gays, afim de... enfim de relaxar, gozar... a vida, oras bolas! Afinal nem só de Sessão da Tarde e Vale a Pena Ver de Novo, vive o homem. Campinas a Seco - É amplo o mundo das saunas gays, em São Paulo já existe a que se diz a maior da América Latina, funcionando 24 horas, horário esse que em Sampa já existia e em Campinas ainda não. As saunas geralmente oferecem o previsível, vestiário, bar, sauna seca, sauna a vapor, duchas quentes e frias, sala de TV, sala de vídeo com filminhos calientes, sala com revistinhas, mesmo dentro desse básico, algumas fogem a regra. Algumas são maiores, outras menores, algumas mais antigas, outras mais novas, outras mais limpas, existe uma especificamente suja, é inacreditável. Nenhuma das saunas de Campinas tem piscina ou hidromassagem, até divulgam, mais não tem, pelo menos não em funcionamento. Para uma cidade deste porte, é inacreditável a deficiência. Sem falar no atendimento que é trash. Esses são os comentários do público em geral que continua tendo que ir para São Paulo, aquela velha história de ir para a “capital” porque no “interiorrrrr” não tem. Muito Prazer - Jamais se pode afirmar que quem vai numa sauna, não é simplesmente para fazer sauna, mas na maioria dos casos de uma sauna gay, assim como numa sauna mista, é o desejo falar mais alto e o prazer sexual fazer parte do ritual de relaxamento, afinal é o Mundo de Marlboro, só que sem cavalos, acredito eu. O mais engraçado é que não existe sauna lésbica, mas isso é assunto para outro dia. Nas saunas o mais comum do cumprimento ao se conhecer alguém não é pegando na mão, muito menos perguntando o nome. Adivinhou? Mas existe casos de amizades que começaram na sauna e até affairs, casamentos não tenho notícia, tudo é possível. Isto é Incrível - Nem tudo é Sodoma e Gomorra, ou uma orgia na casa do Calígula, pessoas conversam, comem literalmente, bebem, tem até quem assiste novela ou Jornal Nacional. Anedotas Vaporizantes - Certa vez um freqüentador me disse que a sauna é um lugar de paz, para se relaxar mesmo, todos deveriam ir à sauna, como os grandes líderes, por exemplo, George W. Bush e Osama Bin Laden relaxando por entre as brumas com fragrância de eucalipto e caminhando em direção a um lugar mais reservado para acerta as contas. Já imaginou? Um mundo sem guerras, para que se tem tanta coisa mais interessante para se fazer, não é mesmo? Lá no reino de Afrodite / O amor passa dos limites / Quem quiser que se habilite / O que não falta é apetite, uhlálálá! (parte final da canção de Rita Lee e Roberto de Carvalho)

Cindy Rolla e a plataforma de cristal 44


liquidificulturando a cinderela (A fabulosa fábula trans/sexy/pop/trash/fashion) Início - Para não começar esta encantadora anedota com um manjadíssimo – “Era uma vez” – vamos começar com algo assim como: Sindyvaldo – nome de batismo, Sindyvaldo, sim, Sindyvaldo! Vinte e quatro anos, mais conhecido como Cindy. Cindy Crawford? Não! Cindy Rolla. Trabalha como “Faz tudo e mais um pouco” na casa da Megera. Sindyvaldo era o nome do pobre garoto filho de um líder sindical e criado pela megera e madrasta malvada (história extremamente original e criativa e para variar a jararaca tinha duas filhas por coincidência tão malvadas quanto a mãe). Pai de Cindy e mauricinho revoltado parte I - um líder sindical, um mauricinho revoltado metido a comunista, que em sua primeira oportunidade registrou o filho com o tal nome Sindyvaldo. Só para deixar os pais burgueses com raiva e mostrar que ele estava abrindo mão do dinheiro da família e também do bom gosto (só usava sapatos Vulcabrás). Mãe de Cindy – japonesinha e operária padrão, revoltada, largou a pastelaria do pai (que só usava massas Terra Branca) assim que se apaixonou pelo mauricinho revoltado numa passeata, morreu jovem e de desgosto, assim que Sindyvaldo nasceu e o pai voltou do cartório com a certidão exibindo o nome escolhido somente por ele, pobre mãe japonesinha que tricotava em casa, ao saber não teve dúvidas, pegou as agulhas de tricot e praticou o haraquiri (só tricotava com as linhas Cléa, Anne e Circulo). Haraquiri - um dos mais intrigantes e fascinantes aspectos do código de honra do samurai: consiste na obrigação ou dever do samurai em suicidar-se em determinadas situações, ou quando julga ter perdido a sua honra. Significa literalmente "corte estomacal". Pai de Cindy e mauricinho revoltado parte II – abalado e sentindo-se culpado, voltou a viver uma vida burguesa e seguindo conselhos do terapeuta da família, casou-se com Megera, uma sexy viúva. Megera – Como era uma megera, logo tratou de se aproveitar da insanidade mental do ex-mauricinho revoltado e fez com ele assinasse vários papéis passando tudo que estava em seu nome para ela (como acontecesse facilmente em qualquer novelinha que tem por aí). Conforme o Aurélio - Megera - 1. Mulher de mau gênio, cruel. 2. Mãe desnaturada. 3. Bruxa. - Pai de Cindy e mauricinho revoltado parte III – ao saber que estava na rua da amargura, revoltou-se novamente e se atirou na primeira passeata que passou. O problema é que não era uma passeata, era um desfile de 7 de setembro, ele revoltadíssimo e empolgadíssimo, acabou embaixo de um tanque militar, foi entregue a família em uma caixa de pizza delivery, sobre a qual Megera e suas duas filhas choraram prantos. As Irmãs Malvadas / Filhas da Megera – atrizes, cantoras, bailarinas, modelos e malvadas. O sonho delas seria participar de um Big-Brother e poderem transar com todos os participantes, sendo assistidas por todo o Brasil e quiçá, o mundo, não por dinheiro, mas por tesão mesmo. O Baile – Reality Show super-hiper-mega original, exibido por um famoso canal, onde várias garotas disputam um mesmo homem, passando a noite toda com ele, que por acaso é um príncipe de verdade, de uma província distante, a vencedora ganha o cacete, ops! O palacete, onde vai morar com o maridão nobre. Conforme o Aurélio - Baile - 1. Reunião dançante de caráter festivo e não raro formal. 2. Dança alegre e festiva; bailado; dança. Cindy Rolla – O mesmo que Sindyvaldo, desde menino era delicado e gostava apenas das brincadeiras de menina, mas seu pai tão transtornado, não teve tempo de se atentar para o filho, desde cedo passou a agir como garota e sofreu todas as humilhações possíveis da Megera e de suas filhas, As Irmãs Malvadas, que o apelidaram de Cindy Rolla, devido ao fato de Cindy ou Sindy ser bem dotado. Com o tempo, Cindy mostrou-se transexual. (De dia na limpeza, Cindy só usava Bombril, mas para dormir, somente nua, com Channel n.4). Transexuais Masculinos - não são homens que querem ser mulheres. Do ponto de vista psicológico, eles são mulheres. Têm vergonha de seus órgãos sexuais, não permitem ser tocados nessa região, nem se masturbam. Os transexuais masculinos não buscam o prazer sexual nos órgãos sexuais, por isso, geralmente desejam realizar a operação para troca de sexo. São divididos em dois grupos: os primários, aqueles que desde meninos sentem que pertencem ao gênero feminino, e os secundários, que se sentem meninas, mas que procuram imitar os meninos por pressões da família. O caso mais famoso de transexual masculino no Brasil é a modelo Roberta Close. (conforme o site http://www.osonzesexos.com.br/) A Gata Borralheira – Cindy nunca saía da barra da saia da Megera, porque nunca havia visto a cor de seu dinheiro, e tudo o que ganhava, gastava em hormônios, apliques, roupas, maquiagem e tudo o que precisava para manter sua auto-estima, mas sempre que podia dava uma escapadinha e fazia seu show na Boate Underground chamada “Borralhos”na Boca do Lixo, onde também ficou conhecida como a Gata Borralheira. A Foda Madrinha – Na grande noite em que a casa ficou vazia, pois suas Irmãs Malvadas foram para O Baile e a Megera iria assistir ao vivo da platéia em frente ao estúdio. Enquanto isso... Cindy ouve parar um caminhão de onde desce uma caminhoneira (de seu caminhão Scania). Enquanto isso na boléia... Segundo o AurélioBoléia – 4 . A cabina do motorista, no caminhão. Diálogo I - de Cindy e a Caminhoneira. Caminhoneira - E aí Cindy! Tu tá um mulherão, hein? Se eu num te conhecesse, te comia, rá, rá, rá... - Cindy - Que foda, hein madrinha! Não te vejo há décadas! - Caminhoneira - Eu era amigona do teu pai nas passeatas. Em nome dessa amizade, vim para te ajudar, você me ligou do celular que as Malvadas te trancaram no armário, no último dia da inscrição para o reality show, então eu fui lá e fiz, tu tá inscrita! Mas eu tenho que pegar a estrada lá pela meia-noite, passo lá e te pego. Não se esqueça, meia-noite! Senão as abóboras estragam e eu perco a carga (detalhe importante, a madrinha transportava abóboras) Cindy – Porra, meia-noite! Você é foda, hein madrinha! Cenário – A réplica de um verdadeiro palácio real. O apresentador mala para toda hora para falar com o público que torce do lado de fora. A orquestra toca. Todas as candidatas dançam com bofes-modelos contratados. Inicio do jogo – Foi dado o ponta pé inicial. Patricinhas atacam pela direita. Patricinhas atacam pela esquerda. Príncipe na grande área. As Malvadas avançam para Príncipe. Torcida da Megera vai ao delírio. Cindy Rolla entra em campo. As Irmãs Malvadas não reconhecem Cindy produzida, só em trajes de faxina. Cindy arrasa em campo. Malvadas disputam à tapa a atenção do tal Príncipe. O Apresentador Mala parava toda hora para falar com o público que torce. Malvada 1 dribla com seu Karl Lagerfeld. Malvada 2 chuta as adversárias com seu Balenciaga. Megera da torcida vibra com seu Galliano. Príncipe de Giorgio Armani, investe em Cindy Rolla. Cindy vestindo um modelo minúsculo e transparente e decotado, adquirido por uma pechincha no brechó, Minha Avó Usa, se excita. Cindy pela primeira vez sente algo diferente dentro de si. Príncipe sente um volume que não é o seu. Malvadas trapaceiam. Malvadas cometem falta. Juiz expulsa as Irmãs Malvadas. O relógio bate meia-noite. Cindy sai de campo. Cindy foge com Foda Madrinha caminhoneira em caminhão Scania, cheio de abóboras. Príncipe encontra plataforma de cristal tamanho 44 adquirida por uma pechincha na Rua 25 de março. Noticiário Sem Conteúdo Informa - Programa é cancelado já que Príncipe quer a candidata que abandonou o jogo. Príncipe paga grande multa a emissora. Príncipe pega endereço da candidata e vai até a casa dela. Corra Cindy, Corra! - Nenhum pezinho das Irmãs Malvadas, preenche a plataforma 44. Foda Madrinha metra em Jiu-jitsu, tira o pé da abóbora e impede injustiças com a afilhada, da porrada na Megera e nas Irmãs Malvadas. Borralho – Foda Madrinha leva Príncipe na Boate Borralhos e ele a tira do palco e a leva em sua limousine branca, enquanto ela dubla - Como uma Deusa! Você me mantém e as coisas que você me diz, me levam além, bem perto das lendas, bem longe do fim.... Enquanto isso no palácio... - Príncipe abdica do trono por Cindy, comemoram com doce de abóbora, presente da Foda Madrinha. Príncipe descobre que além de abóbora, também adora um bom nabo... no jantar. Foda Madrinha sem foda – dirigindo pela estrada canta - Todo dia quando eu pego a estrada. Quase sempre é madrugada e o meu amor aumenta mais. Porque eu penso nela no caminho... Noticiário Sem Conteúdo Informa - Megera é despejada por não pagar o IPTU dos últimos dez anos. Megera cheia de hematomas e com uma trouxinha na mão, sem rumo pega a estrada e aceita carona de caminhoneira que é um doce, e que depois de lhe dar muitas porradas lhe mostrou o que é ser mulher numa aconchegante boléia. As Irmãs Malvadas se mudaram para o Rio de janeiro, em busca do Paraíso Tropical, de dia descansam, de noite trabalham no calçadão como mulheres de “catiguria”. Príncipe abre fábrica de doces de abóbora. Cindy muda de sexo. Dialogo II - de Caminhoneira para Cindy num interurbano a cobrar. Caminhoneira – Cindy, você é foda, hein! Tinha que ser minha afilhada! Acabamos com um manjadíssimo... e  foram felizes para sempre.



pé na bunda


liquidificando o famoso e bom fora! (Modalidade olímpica - arremesso de nádegas – ou glúteos - à distância)- parte inferior ou terminal dos membros inferiores; pata; órgão musculoso da locomoção dos moluscos; base; pedestal; parte inferior de certos objetos. Bunda - diz-se de uma língua africana, falada pelos indígenas de Angola; mulher da raça dos Bundos; Angola, Brasil, nádegas (com o sentido sensual). Nessa história temos apenas dois personagens distintos que fazem parte de nossa tão intima anatomia, eles vivem até que bem distantes, eles são o Pé e a Bunda, achavam que nunca se encontrariam, mas às vezes existe um metafórico choque entre eles. O que é um Pé na Bunda? - Um trato feito entre duas pessoas, dificilmente proposto pelas duas pessoas ao mesmo tempo. Em 99,9% dos casos, a proposta parte do interessado ou proponente e o oponente é voluntariamente obrigado a aceitar. Nesse trato o proponente entra com sua parte no trato, o Pé e o oponente cede a Bunda - sem prazer - para que o arremesso – finalização do desvantajoso trato seja desfeito. Como pode acontecer um Pé na Bunda - Num belo dia, você está em casa na tranqüilidade de seu “Lar Doce Lar”, sossego de quem vive um tórrido romance sólido e promissor. Enquanto você está deitado(a) no sofá fazendo aquela novelinha em sua cabeça, onde vocês se beijam com roupas esvoaçantes no alto da montanha ou na praia ao som de uma boa trilha sonora... Eis que o telefone toca e simplesmente é ELE, que marca um encontro do qual nada quer adiantar. Você vai correndo encontrá-lo tentando adivinhar qual será a surpresa que ele vai te fazer. No decorrer do Pé na Bunda - Chegando lá, ele age friamente, está totalmente diferente no modo de agir, não te olha nos olhos, nada de contatos muito próximos, como se você estivesse de quarentena por uma doença infecto-contagiosa. Logo, você bobona e apaixonada, procura uma justificativa plausível para aquele Iceberg Festival. Motivo 1 – Glória Peres - Será que ele foi clonado, assim como o meu celular e meu cartão de crédito? Ou será que ele está de partida para a América? Motivo 2 -Invasores de Corpos – Será que ele foi abduzido e voltou com um allien no comando de seu cérebro? Motivo 3 - Ruth & Raquel – será que ele tem um irmão gêmeo sacana e nunca contou para você? ... mas logo sua esperta fichinha despenca quando ele diz: Diálogo do Pé com a Bunda -Olha! Você é muito legal, nossa relação está sendo muito legal, foi muito legal ter te conhecido, legal mesmo cara, mas... mas... mas... Oh! Mundo cruel! Por que? Justo comigo! – Impossível de se numerar todas as causas de um Pé bem lá no meio, porém a causa mais comum é... Causa 1 - Substituição de produto na gôndola da vida - Aceite! Infelizmente você foi trocado (a) por outra mercadoria. Produto novo no mercado. Se for de melhor qualidade, se vale mais ou não, nem pense nisso! Releve, jogue para o Cosmo, aja como um ser superior e de bem com a vida. Não cabe a você julgar se foi trocado por algo pior que você. Ops! Paixão é como lotação, perdeu uma, logo vem outra atrás com o cobrador aos berros dizendo o trajeto a ser percorrido. Causa 2 –Kama Sutra – Pode até ser que você era a pessoa certa, no lugar certo e na hora certa, mas de repente seu desempenho sobre aquele confortável e espaçoso móvel do quarto – A CAMA – não fosse dos melhores, ele gostava de você, mas na hora do - Vamos ver! – o peixinho morria na praia com a boca cheia de areia. Causa 3 – Cirque du Soleil - A performance é um fator importante na relação, às vezes ele é o seu príncipe dos seus sonhos, mas não transa como o cavalo do príncipe, ta mais para Cinderela. Conforme-se e pratique – com camisinha, é claro – somente através da prática, pode-se chegar ao bom padrão de qualidade. E sem essa de - não faço isso, não faço aquilo - ajoelhou tem que rezar e se saiu na chuva se ensope até a medula, ta no inferno, sente no colo do capeta. Não vá também com tanta pressa querendo ser um trapezista/malabarista/contorcionista na cama, você não é um circo, se exagerar o único prazer será a dor no dia seguinte. Causa 4 – Nossa Caixa, Nosso Banco – Aquela situação de contar os trocados para dividir uma pizza de mussarela sem vergonha no sábado a noite, pode ser fatal, alguém com um cofre melhor – digo, cofre monetário – ou um carro melhor, se você andava com ele a pé e agora ele anda motorizado com outro, está tudo explicado. Como se livrar da Dor do Pé na Bunda – Suas nádegas ainda estão com hematomas, ainda doem e causam desconforto no balançar de seu leve rebolado – Bola pra frente! Calma! Não falo dos testículos, deixe os no mesmo lugar. Vida nova... Esqueça! - Quem não te valorizou. Vá pra janela... – e acalme-se! Não se jogue, se achar que não segura a onda, fique no meio da sala. O importante é fechar os olhos, respirar bem fundo. Se admire no espelho - e veja o quanto você é gostoso(a), aproveite e faça um strip-tease para você mesmo e veja o que o falecido(a) perdeu. Faça uma lista - de todas as suas virtudes, faça um sacrifício e ache pelo menos umas 10, afinal você é um homem e não um hamster, até eles tem no mínimo 10. Faça uma lista - com os defeitos dele(a), no mínimo com o dobro da sua, escarafunche, não vai dizer que era tudo lindo, pense numa remela, mau hálito, joanete, fora os defeitos não palpáveis, devem ser inúmeros. Caia na gandaia - e prove novas mercadorias que entraram no mercado enquanto você perdia seu precioso tempo com quem viria a te dar um Pé na Bunda. Faça novos tipos de acordo onde você entra com a bunda e o oponente com outras partes do corpo bem mais desejáveis. Nem pense em dizer - que só vê o infeliz na sua frente e que nada se compara ao dito cujo. Fique com o primeiro – que cair na rede, se ele puder ver, melhor ainda, se for melhor que ele, ótimo, suas ações sobem na bolsa, se for um dragão, ótimo, ele vai se sentir equiparado a um, vai até ter uma crise. – Nossa! Depois de mim, pegou isso! Depois dessa batalha - você deve estar bem mais forte e como os fornos modernos, com um bom sistema auto-limpante. Você já está bem melhor - para evitar recaídas, livre-se de todos os presentes, os de valor pode deixar, afinal tudo vale a pena quando a grana não é pequena. O que sobrar jogue no lixo, na privada também é ótimo, cuidado para não entupir e ele te dar mais um “prejú”, aquelas porcarias que ele te deu, fotos, cartões, quinquilharias, badulaques e bugigangas tem que sumir do mapa. Pronto! Nem pense em ouvir - aquela música de vocês, corra se tocar em algum lugar, CDs de Maria Bethânia, nem pensar, banidos, ainda mais de andares altos. Moral da História – Quem com pé fere, com pé na bunda será ferido. Obs. – Esse texto é dedicado ao leitor, Henrique de B.H., que me pediu para abordar esse tema.